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O tempo passa e não nos damos conta. Ainda lembro do meu primeiro dia de aula no até então, PREZÃO. Estava com medo das pessoas e daquelas crianças que nunca havia visto na vida. Quem diria que os meus melhores amigos sairiam de lá.

A menina da frente era a única que conhecia, pois ela era a mais nova vizinha. Aquela que sentava na direita era extremamente simpática e logo no primeiro recreio ficamos melhores amigas. E é ela que me acompanha mesmo que de longe até hoje. É ela que sabe me dar o esporro na hora certa e é somente dela que eu sei que mereço os esporros.

O tempo passou e eu continuei com a minha melhor amiga do PREZÃO - que nem existe mais. Continuei com ela na inesquecível OITAVA série e nas paixões que escondiamos escrevendo apenas interminaveis cartas que trocávamos. Passa o tempo e eu continuo sendo aquela menina que tinha medo do primeiro dia de aula e que faz amizade fácil, mas que não e muito fácil de lidar.

Continuo amando conversas que não levam a lugar algum e detestando compartilhar minha vida com outras pessoas. O tempo se foi e eu nem percebi que cresci. Ele não avisou. A sensação que tenho é que continuo no PREZÃO e que aqui dentro nada mudou. Os medos são os mesmos e as percepções de mundo também não mudaram.

Hoje lembro que tenho saudades de um tempo que parece não ter passado, mas que está tão longe de mim.

Enfim, o tempo passa e não percebemos que o que muda é o que está fora de nós. Aqui dentro tudo continua tão igual.

O olhar da alma

         Ele me olha de um jeito único. Tem os olhos mais verdadeiros que eu já conheci, mas continua com aquele cabelo estranho, que eu odeio. Tudo bem, ninguém é perfeito. Ele já cortou como quis, mas foi só pra agradar.

 

        Aliás, ele sempre quer me agradar. Apresentei a ele Neruda e não é que ele gostou? Apresentei-o para as pessoas que eu amo e mesmo que ele não tenha gostado não me disse nada. Estranho. Ele sempre gosta das coisas que eu gosto. Quer dizer, nem tudo! Ele continua não gostando de pimentões crus, nem de jornalistas metidos.

 

        Eu continuo não gostando da futura profissão dele. Continuo não gostando dos seus filmes preferidos, mas persisto assistindo o que ele me traz. Continuo adorando ficar ao lado dele, mesmo não admitindo nada. Porque ficar ao lado de alguém sem pronunciar uma só palavra continua sendo um máximo.

 

Quem diria que eu poderia confessar estas coisas. Aliás, não estou admitindo nada.

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